O MAIOR DESAFIO DE TODOS

Esse talvez seja um dos maiores desafios de todos os pais e mães que já viveram no planeta terra. Me incluo no grupo dos pais que estão tentando obter algum sucesso nessa tarefa. Desejo que meus filhos sejam fortes, independentes e principalmente felizes.

“Enquanto ele crescia, aprendemos a duras penas que essa escolha estava longe de ser o melhor caminho”

Sou pai de três filhos, um deles conheci somente quando ele já estava com 7 anos de idade. Agora ele está com 25. Meus outros dois filhos têm 5 e 13 anos respectivamente. Consegui vislumbrar todas as fases da infância pelo menos duas vezes. Com o filho mais velho os erros cometidos foram enormes, na época eu e minha companheira não fazíamos ideia do mal que era deixar uma criança de 7 anos em frente aos jogos de computador por horas seguidas. Enquanto ele crescia, aprendemos a duras penas que essa escolha estava longe de ser o melhor caminho para que ele se tornasse um adulto independente e feliz. Hoje em dia ele não mora mais conosco e conseguiu em partes superar as dificuldades que esse erro de estratégia educacional proporcionou.

O QUE APRENDEMOS COM NOSSOS FILHOS

O que aprendemos com nossos filhos é que não podemos deixar sob responsabilidade de um dispositivo digital o papel destinado à presença física e espiritual dos pais e amigos.  Sabemos que é difícil, pois também queremos ter nossos momentos sozinhos e nem sempre eles podem estar na companhia dos amigos. Ainda mais nesse momento obscuro que o mundo está vivendo. 

“Minha filha está se tornando um ser humano admirável. Aprende as coisas com uma facilidade incrível”

Percebemos que deveríamos escolher outro caminho e para nosso segundo filho, uma menina, minha companheira decidiu optar pela filosofia e abordagem antroposófica das escolas Waldorf.  Concordei, mas confesso que durante um bom tempo não conseguia perceber a real importância dessa decisão. O alto valor das mensalidades sempre me deixava desconfortável e procurando os pontos negativos desse sistema educativo.

ESCOLAS WALDORF E A ANTROPOSOFIA

Demorou um tempo, mas agora que minha filha está com 13 anos, consigo perceber claramente o poder de uma educação que não se baseia na disputa do melhor lugar na fila ou na livre concorrência de mercado.  Minha filha está se tornando um ser humano admirável. Aprende as coisas com uma facilidade incrível, lê vários livros, possui um excelente gosto musical e toca dois tipos diferentes de flauta doce mais violão e contrabaixo. Tenho certeza que está no caminho certo de uma vida plena e feliz.

Minha filha Alice lixando sua colher de madeira esculpida nas aulas de marcenaria
da escola Waldorf Turmalina. Fotografia: Amanda Nunes

“Na visão antroposófica o objetivo é desenvolver indivíduos livres, integrados, socialmente competentes e moralmente responsáveis.”

Através do incentivo de atividades corporais que envolvem música, artesanato, marcenaria, culinária, subir em árvores, brincar na chuva e tantas outras vivências extremamente necessárias para qualquer criança em desenvolvimento, acredita-se que essas aulas sejam um preparo para a vida.  Procura-se desenvolver as qualidades necessárias para que os jovens floresçam e saibam lidar com as constantes e velozes mudanças que se apresentam no mundo com criatividade, flexibilidade, responsabilidade e capacidade de questionamento.

SERES HUMANOS CRIATIVOS E COM IMENSA VONTADE DE VIVER

Pelo fato de tão poucas crianças poderem ter acesso a esse tipo de educação, conheci poucos adultos que tiveram o privilégio de passar por esse sistema de ensino. O que posso dizer é que se tornaram adultos fortes e independentes.  Mas uma força e independência diferente da propagada pela mídia convencional ou pelos 5% de pessoas que detêm 70% das riquezas do planeta. São seres humanos criativos e com uma imensa vontade de viver. E viver sem desejar serem melhores do que os outros, viver compartilhando experiências e tornando o mundo um lugar melhor.

“Por isso a necessidade de fornecer durante toda a infância um ambiente feliz e saudável”

Devemos incentivar nossos filhos a explorar suas vontades e capacidades por si só. Não devemos temer que eles se machuquem ao caminhar pela vida, pois são nesses momentos que aprendem a se levantar e seguir em frente. Por isso a necessidade de fornecer durante toda a infância um ambiente feliz e saudável, onde possam correr e subir em árvores testando seus limites e descobrindo que a vida é muito mais do que ganhar uma partida de videogame ou receber likes em suas redes sociais. Adultos saudáveis e felizes conseguem passar horas consigo mesmo sem a necessidade da interação digital a cada momento, conseguem sentar em silêncio e simplesmente refletir sobre a vida.   

“Escolhi estudar e desenvolver um brinquedo para atividades externas que explorasse de forma ampla todos os aspectos físicos e mentais dos pequenos.”

Aprendendo com todos esses fatos, o terceiro filho que agora está com 5 anos e ainda não frequenta a pedagogia Waldorf está crescendo e se desenvolvendo da melhor forma possível, mas também insiste para ter contato com os eletrônicos, mas estamos segurando ao máximo para que o erro anterior não se repita. E foi depois da chegada desse novo filho que comecei a pensar em trabalhar com algo que envolvesse crianças, escolhi estudar e desenvolver um brinquedo para atividades externas que explorasse de forma ampla todos os aspectos físicos e mentais dos pequenos. Me inspirando nas mesmas fontes da pedagogia Waldorf e das escolas de arquitetura e design alemãs, conheci e me apaixonei pelo universo dos domos geodésicos. Estruturas baseadas nos sólidos platônicos, mais especificamente o icosaedro, que possuem inúmeras finalidades e benefícios para o ser humano. 

Meu filho Francisco escalando nosso primeiro protótipo aos 2 anos de idade.

“Criar uma forma de fabricar as estruturas geodésicas e fazê-las chegar ao maior número de crianças possíveis.”

Hoje percebo que todo caminho que trilhei durante a vida, de alguma forma apontava para essa direção. Sou apaixonado por música, montanhas, escalada esportiva, arquitetura e design. Design de produto é minha formação acadêmica e profissão. Meu projeto de graduação na universidade foi uma barraca para alta montanha. Momento onde tive o primeiro contato com o universo das estruturas geodésicas. Passaram-se 15 anos após a formatura até que eu começasse a entender qual era um dos principais motivos de ter chegado vivo e disposto até aqui. Criar uma forma de fabricar as estruturas geodésicas e fazê-las chegar ao maior número de crianças possíveis.

Eu e meu pequeno Franscisco aos 5 anos de idade no topo do Domo Montanha a 2,65 metros de altura.

MONTANHAS COMO INSPIRAÇÃO

Após todo o processo de desenvolvimento e viabilização do projeto, os modelos de domos que começamos a fabricar foram nomeados de forma a inspirar a relação das crianças com as montanhas e todo o significado intrínseco dessas maravilhas naturais.
As montanhas estão presentes no imaginário humano desde tempos imemoriais, associadas a morada de deuses em culturas nórdicas, utilizadas como metáforas em discursos dos mais notáveis filósofos e a mais alta de todas (Pico Everest) finalmente conquistada em 1953 por dois homens.

NOSSOS DOMOS GEODÉSICOS

Clique nas imagens abaixo para conhecer o resultado desse trabalho realizado com tanto esforço e significado pessoal e se gostar do resultado, compartilhe em suas redes para que essa forma de brincar chegue cada vez mais longe. Obrigado por me acompanhar até aqui, tenho certeza que de alguma forma compartilhamos o mesmo desejo de ver nossos filhos fortes, independentes e felizes.